Naquele café...

O café, que costuma acolher os novelos infindáveis das conversas de velhas senhoras, os silêncios de casais de muitos ou poucos anos, as bocas lambuzadas das crianças a quem as avós não sabem dizer não, tinha hoje outro público. Velhos, novos, assim assim, todos de cabeça erguida para a televisão pendurada na parede, com o fundo verde que é uma presença constante onde quer que se veja uma densidade tão grande de homens por metro quadrado. Mas o que me prendeu a atenção foi o casal adolescente que conversava e ria numa mesa, com o alheamento próprio que o amor e a novidade trazem consigo. Homens, sozinhos, a ver o amor de uma vida a rolar na televisão. Rapaz e rapariga, juntos, a viver o amor do momento. Mesmo que acabe amanhã. 

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