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A mostrar mensagens de Novembro, 2010

A velha

A velha que fuma num banco de jardim Dedos tintos de nicotina Melenas amarelas A pele seca e curtida de longos e longos anos A velha que fuma num banco de jardim No meio da avenida Lembrando Lisboa antiga Antes bela, agora sulcada pelo tempo A velha que fuma num banco de jardim Recordando uma vida cheia Ou vazia Que agora é apenas espaço Impregnado de fumo A velha que fuma num banco de jardim O corpo escasso de carne Expirada com o fumo A velha que fuma num banco de jardim Para morrer depressa Mas a morte não chega Ou então, e apenas, para saborear um cigarro.
Susana Figueiredo, Jul/2005