se por caso descobrires diz qualquer coisa, é a segunda vez que aqui venho parar (com 4 anos de intervalo), novamente por causa da inquietação do pólen
Passo as minhas mãos pela lisa superfície que é a tua alma Dela, sinto apenas o áspero roçagar da fina camada de areia que a cobre Da areia que esconde qualquer porosidade, qualquer imperfeição Como nada sinto, penso partir Mas um súbito e inusitado cansaço faz jazer o meu corpo sobre ela E escutar Apenas oiço um vago murmúrio, tão distante como as profundezas da terra Presto atenção Parece uma voz que me traz palavras sumidas E tambores E silêncio E novamente a voz, agora mais clara E silêncio. Ainda deitada, tento afastar a areia e percebo que o solo, apesar de endurecido pela seca se desfaz com a força dos meus dedos Lentamente... De gatas, raspo-o vigorosamente e tento escutar Apenas silêncio. Mas sei que não adormeci e que a voz é real Os tambores ainda ecoam em mim e abafam o insuportável som desse silêncio Continuo a escavar, freneticamente, agora com as mãos Sinto as pedras a cortarem-me os dedos e a terra a entranhar-se nas feridas Não me importo porque...
Tento fazer tudo. Quero fazer tudo. Chateio-me quando não faço tudo. Então vou fazer. Tenho a mania. E depois sinto-me doente como nunca me senti na vida. Vá-se lá saber porquê...
Trabalho há onze anos. Nos primeiros três - quase quatro - fiz estágios, passei recibos verdes, dei explicações para poder equilibrar um salário baixo e pagar as contas, estive um mês e meio sem emprego, enviei uns noventa curriculos nessa altura, tive que aceitar outro estágio, apesar de ter mais de dois anos de experiência... no fundo, fui precária. É claro que tudo teria sido mais fácil se me tivesse mantido em casa dos meus pais, mas não me fazia sentido aos vinte e três anos não ser independente. Fiz o que estava ao meu alcance para lutar por essa independência, passei mesmo por algumas dificuldades, mas consegui. Quando me casei, as coisas tornaram-se um pouco mais fáceis, mas havia sempre um sentimento de insegurança que advinha do facto de estar sempre na corda bamba, e esse sentimento só passou quando entrei para os quadros de uma empresa. Porquê? As razões de cariz financeiro são as mais óbvias. Ter estabilidade financeira...
se por caso descobrires diz qualquer coisa, é a segunda vez que aqui venho parar (com 4 anos de intervalo), novamente por causa da inquietação do pólen
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