Hoje partilhámos Lisboa. Hoje Lisboa partilhou-te comigo. Foi estranho ter-vos juntos. O meu amor eterno. A minha paixão mais recente. Ambos ali. Complementam-se, digo-te. As suas formas, a tua esqualidez, a sua luz, as tuas trevas. O seu esplendor colorido, O teu sóbrio recato. Lisboa. Dela brotam palavras, letras que me fervilham nas mãos. Sons, cheiros que me alvoroçam. A simplicidade que me tira o fôlego, que me trava o sangue. A exaltação. Tu. O teu profundo silêncio. As tuas muralhas, os teus caminhos sinuosos. Tu, que me exiges olhos, boca, pele, os seis sentidos, enfim. Tu, A complexidade que me dá a certeza de querer transpor as tuas paredes, percorrer os teus trajectos com a calma que uma luta requer. Lisboa e Tu. Numa tarde de Verão. Pudesse existir a perfeição de um momento e longe dela não andaria. Porque esta ficará certamente gravada, mesmo que as palavras se percam, no meu livro de memórias. Susana Figueiredo, Julho/1999
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